Os vídeos pipocam, todo dia chega um diferente. Torcedores belgas se jogam no chão, mãos nas pernas, gritos forjados de dor, fingindo que são Neymar. Ou então crianças em um campo de futebol qualquer do mundo. Quando, ao fundo, algum adulto grita ”Neymar!”, todas se jogam ao chão, se contorcendo de dor.

O debate sobre Neymar nesta Copa foi intenso. Mas ele é praticamente um debate falso. Pois pouca gente discorda do fato de ele ser um grande jogador. E pouca gente concorda com sua atitude em campo.

Eu acreditava que essa seria a Copa de Neymar, inclusive com possibilidades de sair dela como favorito à Bola de Ouro – claro que isso teria de passar pelo título da seleção. Depois da lesão e do tempo parado, chegaria voando na Copa. Em um time bem arrumado e confiante.

Bastaram os dois primeiros duelos para ver que não seria assim. E o choro depois do jogo da Costa Rica mostra o quanto esses jogadores da seleção brasileira colocam sobre si uma pressão que foge completamente dos padrões aceitáveis.

Mas OK, não foi uma Copa de Bola de Ouro. Neymar fez alguns gols, jogou bem alguns jogos, mal outros, como contra a Bélgica. Não é pecado não fazer uma Copa de Bola de Ouro.

O pepino é a imagem. Todos sabiam que Neymar era um menino mimado. Só que agora ele é visto como um menino pilantra. Sabe aquela coisa de ”ser exemplo para as crianças”? Bem… exemplo do quê?

Se Neymar sempre foi uma figura controversa entre adultos, entre crianças ele era uma espécie de unanimidade. Por vários fatores: o jeito moleque, o sorriso, a maneira extrovertida de jogar. Neymar perdeu nesta Copa seu maior capital. Não é mais unanimidade entre crianças. É ridicularizado por muitas delas.

Não me venham com a historinha para boi dormir de ”é culpa da imprensa”.

As pessoas formam opinião em função do que veem. E o que elas viram foi um jogador tentando o tempo inteiro forçar cartões a adversários reagindo de maneira exagerada a qualquer falta. Tanto tentou ludibriar os árbitros que acabou prejudicando o próprio time – a falta de credibilidade levou árbitros a tomarem decisões erradas no campo.

Não são jornalistas nem árbitros nem adversários que fizeram a imagem de Neymar ir para o ralo. Foi ele mesmo. Virou a piada da Copa. Campeão dos memes. E essas coisas são difíceis pra caramba de serem revertidas.

Era a Copa para Neymar sair maior. Saiu menor. Muito menor.


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