Secretaria de Saúde cancela contrato com laboratório de Araguaína após encontrar irregularidade durante vistoria

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Segundo o governo, Vigilância Sanitária Estadual visitou sede do IPC Laboratório e verificou que o serviço não estava sendo feito da maneira contratada. Vistoria foi motivada por escândalo envolvendo laboratório de Palmas. Laboratório teve contrato cancelado pela secretaria
Divulgação
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) decidiu cancelar nesta sexta-feira (13) o contrato que tinha com o IPC laboratório, com sede em Araguaína, no norte do Tocantins. O prestador de serviços passou por uma vistoria da Vigilância Sanitária Estadual e, segundo o governo, não estava fazendo o serviço da forma como deveria fazer.
O advogado Indiano Soares, responsável pela defesa do laboratório, afirmou que a rescisão unilateral do contrato por parte do governo será questionada na Justiça.
A vistoria nos laboratórios da cidade começou ainda na quinta-feira (12) e foi motivada pelo escândalo envolvendo o laboratório Sicar, na quarta-feira (11), quando centenas de amostras humanas foram encontradas em potes de doces e achocolatado, em Palmas. Duas pessoas chegaram a ser presas, mas já respondem em liberdade.
O Portal da Transparência do governo do Tocantins revela que o IPC Laboratório mantinha vínculo e prestava serviços para o Estado desde 2018. A empresa recebeu até agora R$ 26,6 milhões dos cofres públicos estaduais.
Vistoria encontrou amostras em sacos
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Em 2019 a empresa foi credenciada para prestar serviço de rastreamento de câncer do colo do útero. Os serviços eram prestados para a maior parte dos municípios do Tocantins. A SES não explicou quais irregularidades foram encontradas na sede do IPC em Araguaína.
O descredenciamento deve ser publicado no Diário Oficial desta sexta-feira (13). Ainda segundo a SES, o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) está se equipando e deverá assumir o serviço.
Escândalo
As investigações que levaram a Polícia Civil à sede do laboratório Sicar, em uma casa de Palmas, inicialmente apuravam um grupo suspeito criar empresas de fachada para praticar fraudes e estelionato. O delegado responsável pelo caso disse que foi uma surpresa encontrar centenas de amostras humanas em potes plásticos de forma improvisada e irregular. Duas pessoas foram presas em flagrante, mas pagaram fiança e foram liberadas.
“Para a nossa surpresa, a gente encontrou realmente muito material biológico, coletas, vísceras humanas, não estavam com a devida destinação, não era feito o cuidado necessário, até como forma de respeito ao material que foi coletado. Isso nos causou surpresa”, comentou o delegado Evaldo de Oliveira Gomes.
O advogado do laboratório Sicar negou que existissem irregularidades e disse que os potes encontrados eram dos próprios hospitais públicos.
Durante a operação no Laboratório Sicar os agentes encontraram centenas de amostras e até órgãos humanos, como úteros, estavam sendo armazenados em todo tipo de potes de plástico espalhados de forma improvisada nos cômodos da casa. Alguns estavam até na área externa do imóvel dentro de caixas.
Também foram encontrados recipientes de coleta de urina e fezes mergulhados em um balde para serem lavados e posteriormente reaproveitados. Além disso, os papéis de pedido dos exames estavam submersos dentro das próprias amostras. O local foi interditado pela Vigilância Sanitária e pelo Conselho de Medicina.
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Fonte: G1 Tocantins