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Home»Entretenimento»Guilherme Arantes completa 50 anos de carreira solo como um pai nem sempre compreendido do pop nacional
Entretenimento

Guilherme Arantes completa 50 anos de carreira solo como um pai nem sempre compreendido do pop nacional

janeiro 10, 2026Nenhum comentário1 Visitas

Guilherme Arantes lança o álbum ‘Interdimensional’ em 15 de janeiro e estreia em março a turnê ’50 anos luz’ para celebrar o cinquentenário da carreira solo
Reprodução / Facebook Guilherme Arantes
♫ ANÁLISE
♬ Em texto publicado em rede social, Guilherme Arantes questionou o fato de ter sido excluído nos anos 1980 e 1990 de nichos e veículos voltados para o universo do pop rock brasileiro. E se posicionou como tendo sido “praticamente o pai de todo o movimento”. A colocação parece pretensiosa, mas tem fundo de verdade.
O cantor, compositor e músico paulistano de fato vislumbrou em meados dos anos 1970 um novo começo de era que se iniciou concretamente em 1982. E esse movimento foi feito pelo artista há 50 anos, em 1976, quando Arantes iniciou carreira solo após sair do Moto Perpétuo, grupo de rock progressivo que fundara em 1973.
E o fato é que Guilherme Arantes completa 50 anos de carreira solo em 2026 como um pai nem sempre compreendido do pop nacional, com um olho no passado de glória (a ser celebrado no show “50 anos luz”, em turnê que percorrerá o Brasil a partir de março) e outro no futuro, representado por “Interdimensional”, o álbum de músicas inéditas que o cantor lançará na próxima sexta-feira, 15 de janeiro.
Sim, entre muito mais altos do que baixos, assim se passaram 50 anos. Foi em 1976 que o Brasil conheceu Guilherme Arantes a reboque de balada melancólica, “Meu mundo e nada mais”, que ele compusera em 1969, aos 16 anos, em momento de desencanto com o universo.
Contratado pela gravadora Som Livre, Arantes lançou o primeiro álbum solo em 1976 e teve a tristonha canção incluída na trilha sonora da versão original da novela “Anjo mau”, trama blockbuster exibida pela TV Globo às 19h de fevereiro a agosto daquele ano de 1976.
No embalo do sucesso da novela, a canção emplacou nas rádios e virou hit nacional. Nascia ali um popstar, um compositor capaz de criar o pop perfeito. Só que Arantes nunca se limitou a esse pop aliciante, mesmo nos tempos de popularidade massiva.
Quando veio o novo começo de era anunciado por Lulu Santos (outro hitmaker de alto quilate) e o rock deu uma blitz na MPB, para lembrar a frase lapidar de Gilberto Gil, Guilherme Arantes já não era a novidade, ainda que emplacasse um sucesso atrás do outro nas paradas radiofônicas desde 1981.
É curioso notar que Lobão, Lulu Santos e Ritchie também tinham começado a trajetória profissional nos anos 1970, mas foram absorvidos pelo mercado como nomes da geração 80. Como Arantes tinha feito muito sucesso como músicas como “Meu mundo e nada mais”, “Cuide-se bem” (1976), “Amanhã” (1977 – pérola de arranjo prog cuja luminosidade reverberou em 1978 na trilha sonora de outra novela blockbuster, “Dancin’ days”) e “Êxtase” (1979), o cantor entrou nos anos 1980 já como um integrante da geração passada, embora paradoxalmente tenha o nome frequentemente associado ao pop da década de 1980.
Talvez essa dicotomia explique, mas jamais justifique, a exclusão de Guilherme Arantes de festivais como “Rock in Rio” e “Hollywood Rock”, assim como o fato de ele nunca ter recebido um convite da MTV para se sentar no banquinho da então influente emissora musical para gravar álbum acústico, recurso que reabilitou cantores e grupos já em declínio no mercado. Outro fator determinante para o apagamento do artista nesses canais jovens e elitistas é que a música de Arantes também ecoava entre o chamado povão, aquele que assiste a programas de auditório por vezes populistas.
Como Arantes nunca fez parte de turmas e do hype dos anos 1980, a exclusão foi se ampliando a partir da década de 1990. Até porque o mercado mudou e o artista deixou de produzir hits em sequência. O último, “Sob o efeito de um olhar”, dominou as rádios ao longo de 1991. As modas e modismos da década de 1990 – marcada pela explosão da axé music, do pagode de grupos paulistas e de padres cantores, entre outros fenômenos midiáticos – fizeram com que a indústria fonográfica jogasse Arantes para escanteio.
Contudo, modas passam e obras ficam. E obras garantem shows lotados. Guilherme Arantes chega aos 50 anos de carreira solo com um cancioneiro que lhe garante três horas de show somente com sucessos. Poucos artistas no mundo conseguem essa proeza.
A obra do artista é monumental e foi construída entre o rock progressivo, o synth-pop e as canções apaixonadas compostas no e para piano, alinhando no cancioneiro sonoridades e referências que vão da música clássica ao som celta embutido na obra do cantor e compositor irlandês Gilbert O’ Sullivan – este, sim, mais influente na criação de Guilherme Arantes do que Elton John, a quem o artista foi frequentemente comparado quando virou uma das sensações musicais de 1976.
Além das músicas já supracitadas, merecem menções “Aprendendo a jogar” (1980), “Deixa chover” (1981), “Planeta água” (1981), “O melhor vai começar” (1982), “Lance legal” (1982), “Lindo balão azul” (1982), “Brincar de viver” (Guilherme Arantes e Jon Lucien, 1983), “Pedacinhos (Bye bye so long)” (1983), “Cheia de charme” (1985), “Coisas do Brasil” (Guilherme Arantes e Nelson Motta, 1986), “Loucas horas” (1986), “Um dia, um adeus” (1987), “Muito diferente” (1989) e “Raça de heróis” (1989) – todas lançadas ao longo dos anos 1980, década áurea do pop rock brasileiro.
Ou seja, Guilherme Arantes é, sim, um pai do pop nativo pela construção de obra que soube ir além da genial MPB dominante na década de 1970. E que venha um outro começo de era com a turnê “50 anos luz” e com “Interdimensional”, álbum que o artista, imodesto, já caracteriza como “histórico” com orgulho indisfarçável do disco que ampliará cancioneiro de grande magnitude.
Na mente presumivelmente fervilhante de Guilherme Arantes, o melhor ainda vai começar…

Fonte: G1 Entretenimento

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