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Home»Entretenimento»Netflix pode ficar mais cara? Cinco pontos-chave da disputa pela compra da Warner
Entretenimento

Netflix pode ficar mais cara? Cinco pontos-chave da disputa pela compra da Warner

dezembro 12, 2025Nenhum comentário1 Visitas

A Warner Bros detém os direitos da franquia Harry Potter
Getty Images via BBC
Parece um simples acordo de fusão entre empresas, mas reúne todos os elementos de um drama hollywoodiano: um pretendente rico e poderoso, intrigas políticas e muitas cenas de suspense.
A compra do estúdio Warner Bros. Discovery e das populares redes de streaming da HBO pela Netflix é, na prática, a história de um gigante que amplia seu domínio.
Mas, com reguladores e rivais à espreita, esta provavelmente é só o início da saga.
Enquanto a história se revela, aqui vão cinco pontos centrais para entender o que está em jogo.
1. A Netflix está se tornando ainda mais poderosa
A Netflix vem ampliando sua vantagem em Hollywood há anos: é o maior serviço de streaming por assinatura do mundo e o principal produtor de conteúdo original da Califórnia (EUA), onde fica Hollywood.
Mas este acordo, o maior do setor em anos, consolidaria sua liderança, ao entregar à empresa um catálogo com quase um século de títulos e também ampliar sua já robusta capacidade de produção.
Isso sem mencionar o enorme número de assinantes, já que a Netflix se prepara para incorporar parte dos 128 milhões de assinantes da HBO ao seu universo de mais de 300 milhões.
“Se a Netflix já é o maior serviço de streaming, ao somar HBO Max torna-se praticamente intocável”, disse Mike Proulx, vice-presidente da consultoria de pesquisa Forrester.
A operação reunirá franquias históricas como Looney Tunes, Harry Potter e Friends e sucessos da HBO como Succession, Sex and the City e Game of Thrones, ao lado de produções próprias da Netflix como Stranger Things e Guerreiras dos K-pop (Kpop Demon Hunters, na versão em inglês).
A compra inclui ainda a TNT Sports fora dos Estados Unidos.
Se a Paramount sair vitoriosa da disputa, adicionaria parte dos 128 milhões de assinantes do HBO Max aos 79 milhões da Paramount.
2. O acordo pode fazer os preços subir… ou cair
A Netflix afirma esperar concluir a operação em até 18 meses.
Executivos, porém, evitam dizer como ou se pretendem integrar a Warner Brothers e a marca HBO ao serviço atual.
Greg Peters, codiretor-executivo da Netflix, disse que o nome HBO é “muito poderoso” e oferece “muitas opções”, mas não detalhou quais.
A empresa pode criar pacotes separados, embora analistas considerem improvável que a marca HBO desapareça.
O impacto nos preços também é incerto.
O domínio ampliado poderia permitir aumentos. Por outro lado, consumidores podem acabar pagando por um único serviço em vez de dois.
Atualmente, a assinatura mensal da Netflix no Brasil varia de R$ 20,90 (padrão com anúncios) a R$ 59,90 (premium, sem anúncios, com acesso em mais dispositivos e com imagem de qualidade mais alta).
A assinatura mensal da HBO Max no Brasil varia de R$ 29,90 (básico com anúncios) a R$ 55.90 (platinum, sem anúncios, com acesso em mais dispositivos e com imagem de qualidade mais alta).
Já a Paramount+ varia de R$ 18,90 (limitado a celulares e tablets) a R$ 34,90 (com qualidade superior de imagem, sem anúncios e suporte ampliado de dispositivos).
3. O streaming é o futuro, e Hollywood se sente deixada de lado
A Warner Bros Discovery, que remonta a cerca de um século, possui um vasto catálogo, que inclui clássicos como Casablanca e O Exorcista.
Mas a tradicional empresa vem sofrendo pressão comercial com a transformação causada pelo streaming online nas indústrias de cinema e TV.
E a aquisição mostra como a era de ouro do cinema perdeu força.
Segundo Proulx, da Forrester, o rumo é claro: o futuro é “todo streaming”. “Com este acordo, se torna oficial: a mídia tradicional está chegando ao fim.”
A Netflix promete manter estreias nos cinemas, algo que faz sentido, já que a compra inclui a franquia de super-heróis da DC, grande arrecadadora nas bilheterias.
Mas há dúvidas sobre se isso continuará sendo uma prioridade. Neste ano, Ted Sarandos, cochefe-executivo da Netflix, disse considerar ir ao cinema um “conceito ultrapassado”.
A consolidação com a compra pela Netflix toca em um ponto sensível de uma indústria já abalada por cortes de pessoal, queda de produção e pelo avanço da inteligência artificial.
James Cameron, diretor de Titanic e da franquia Avatar, foi um dos muitos que reagiram negativamente, afirmando, pouco antes do anúncio, que o acordo poderia ser um “desastre” para Hollywood.
4. O acordo ainda não está fechado
A conclusão está longe de estar garantida.
Primeiro, a Warner Bros Discovery precisa concluir o desmembramento das unidades que não serão vendidas, incluindo CNN, Discovery e Eurosport.
Paralelamente, a concorrente Paramount Skydance, que pretendia comprar toda a Warner Brothers Discovery, apresentou uma oferta hostil na esperança de convencer os acionistas de que poderia oferecer uma alternativa atraente.
Em negociações entre corporações, isso ocorre quando uma empresa tenta comprar outra sem o consentimento da administração da empresa a ser comprada, geralmente oferecendo-se para comprar as ações negociadas na Bolsa dessa empresa-alvo.
A maior incerteza, porém, é que tipo de acordo será aprovado pelos órgãos reguladores da concorrência nos EUA e na Europa, algo que pode representar um grande desafio.
Em Washington D.C., capital dos EUA, congressistas de ambos os partidos já criticaram a proposta da Netflix, alegando risco de menos opções e preços maiores para os consumidores.
Sarandos disse que a Netflix, que terá de pagar US$ 5,8 bilhões (cerca de R$ 31,6 bilhões) se o acordo de compra naufragar, está “muito confiante” na aprovação da compra.
Alguns congressistas do Partido Democrata também fizeram críticas à oferta concorrente da Paramount. Analistas afirmam que ela exigiria uma revisão do impacto sobre anunciantes e distribuidores de TV locais, devido ao poder de uma empresa combinada sobre redes esportivas e infantis.
A decisão dependerá, em parte, de como os reguladores entenderem o cenário de competição no mercado, afirmou Jonathan Barnett, professor da Universidade do Sul da Califórnia (EUA).
Se considerarem apenas o streaming, a fatia ampliada da Netflix pode gerar grande preocupação em relação aos consumidores. Mas, se incluírem TV a cabo, emissoras abertas e até plataformas como YouTube, “as preocupações com concentração diminuem”.
Rebecca Haw Allensworth, professora da Faculdade de Direito Vanderbilt (EUA), afirmou que um acordo desse porte “normalmente seria contestado”, em busca de melhores condições para consumidores.
Desta vez, porém, ela teme que o governo do presidente americano, Donald Trump, tente pressionar a Netflix sobre questões como diversidade e viés político, como já ocorreu em outros casos.
5. Donald Trump é outro fator imprevisível
Trump sempre demonstrou interesse pela indústria de mídia e entretenimento e afirmou esperar participar das decisões. Ele exigiu que a CNN, que acusa de ser hostil ao seu governo, seja vendida para outra empresa como parte de qualquer acordo.
Mas não está claro o que ele pensa sobre as propostas atuais.
No fim de semana, Trump sinalizou preocupação com o tamanho da Netflix após a fusão, dizendo que poderia ser “um problema”. Ao mesmo tempo, elogiou a liderança da empresa.
Trump já falou positivamente sobre Larry Ellison, bilionário de tecnologia e doador republicano, e seu filho David, que lideram a oferta rival da Paramount Skydance. Mas, no dia 08/12, criticou a empresa após uma entrevista exibida com a congressista Marjorie Taylor Greene, antes aliada dele.
“Eles não são exatamente grandes amigos meus”, disse o presidente.
Bill Kovacic, ex-presidente da Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês), afirmou à BBC que as declarações de Trump indicam que qualquer decisão precisará de aval da Casa Branca.
Isso pode representar “um nível sem precedentes” de controle presidencial sobre o processo, disse Kovacic.
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Fonte: G1 Entretenimento

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